"a-maior-função-do-homem-no-mundo-é-transformar-se-em--literatura" - Reinaldo Santos Neves

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

De Pepetela a Suely Bispo e Padre Júlio Lancellotti: Flinc reúne pluralidade de vozes no Espírito Santo

 

Com curadoria de Isabella Baltazar, a primeira Festa Literária Internacional Capixaba é gratuita, e acontece de 10 a 12 de outubro, no Parque Cultural Casa do Governador

O Espírito Santo ganha um novo marco cultural com a chegada da 1ª edição da Festa Literária Internacional Capixaba (Flinc), um evento gratuito que ocupará o Parque Cultural Casa do Governador, em Vila Velha, de 10 a 12 de outubro de 2025. Com mais de 30 atividades programadas, incluindo mesas de debate, lançamentos de livros, oficinas, espetáculos musicais e um espaço dedicado ao público infantil, a Flinquinha, o festival promete ser um ponto de encontro singular para amantes da literatura e da cultura. 

O festival nasce para somar ao fortalecimento da cena artística do Espírito Santo, hoje em plena expansão. Idealizada pela doutora em Literatura e curadora Isabella Baltazar, a Flinc se destaca por sua gratuidade total, afirmando que “literatura é direito e não privilégio”. A curadoria de Isabella reforça a proposta de criar um espaço de diálogo onde a literatura atua como ponte entre culturas, tempos e vozes, promovendo uma experiência plural, acessível e inclusiva. A programação completa será divulgada em breve no site e redes sociais oficiais da Flinc. 

“A essência da festa é a celebração da literatura como um tecido de vozes múltiplas – vindas de diferentes lugares de enunciação, com forças e tons diversos. Queremos que o público leve consigo a certeza de que a literatura não está apenas nas páginas escritas, mas também na oralidade, na melodia, no corpo. A Flinc é um espaço aberto em que a literatura é via de educação, diversidade e representatividade”, afirma Isabella.



Convidados nacionais e internacionais 


Entre os nomes de relevância nacional e internacional já confirmados para esta edição, o público terá a oportunidade de encontrar: Pepetela, aclamado escritor angolano e ganhador do Prêmio Camões; Cidinha da Silva, escritora que atravessa diferentes gêneros literários com sua escrita marcadamente política; Nei Lopes, sambista, escritor e estudioso da cultura afro-brasileira; Micheliny Verunschk, ganhadora do Prêmio Jabuti, reconhecida por sua prosa que envolve uma prática historiográfica; Vera Iaconelli, psicanalista e escritora; Bernadette Lyra, renomada escritora capixaba; Geni Nuñez, escritora e ativista indígena; Padre Júlio Lancellotti, figura emblemática por seu trabalho social e humanitário; Andreone Medrado, autora doutora em Psicologia que traz uma perspectiva anticolonial sobre raça, gênero e sexualidade em sua produção; Suely Bispo, poeta e atriz que explora temas de ancestralidade e resistência negra; e muito mais. 

Esses participantes, com suas trajetórias diversas, trazem olhares que ampliam e enriquecem as conexões promovidas pela Flinc, que se afirma como espaço de encontro e de diálogo literário. Além da programação de mesas e atividades, o evento contará com a presença de editoras capixabas e nacionais, expandindo as possibilidades de circulação de livros e de acesso às produções contemporâneas.


Homenagem à Vera Viana 


A festa também presta uma homenagem especial à memória de Vera Viana, atriz, dramaturga e uma das figuras fundamentais da cultura do Espírito Santo. Conhecida por sua versatilidade em diversos gêneros, Vera teve uma trajetória marcada pela paixão aos palcos desde a infância, evoluindo para uma carreira premiada como autora, diretora e produtora. Sua obra, que inclui textos aclamados como "Mulher, Mulher" e "Duas Mulheres na Madrugada", foi essencial para projetar o teatro capixaba em festivais nacionais, consolidando seu legado como uma artista visionária. 

Além de sua produção artística, Vera Viana, mulher negra, foi uma incansável ativista cultural. Como secretária municipal de Cultura de Vitória, foi uma das idealizadoras da Lei Rubem Braga e também do projeto da Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música (Fafi), demonstrando um compromisso com o fomento das artes na cidade. Para celebrar sua contribuição, a Flinc entregará uma comenda em nome de Vera Viana, que será recebida por sua filha Carolina Viana Correa Coimbra de Sousa. 

“A minha curadoria parte do meu lugar: sou uma mulher negra com deficiência que cresceu percebendo como a literatura sempre foi tratada como propriedade de poucos. O que se consolidou como ‘centro’ quase nunca nos inclui. Por isso, quando penso uma programação, busco inverter a lógica: abrir espaço para autoras e autores que carregam histórias, corpos e perspectivas que muitas vezes ficam invisíveis nos catálogos oficiais e nos prêmios mais celebrados”, enfatiza Isabella.


Serviço: 1ª Festa Literária Internacional Capixaba (Flinc) 
Data: 10 a 12 de outubro de 2025 
Local: Parque Cultural Casa do Governador, Vila Velha (ES) 
Entrada: Gratuita para todas as atividades 
Patrocínio: Instituto Cultural Vale (@institutoculturalvale) 
Apoio: Parque Cultural Casa do Governador (@parqueculturalcasadogovernador), Secretaria da Cultura do Espírito Santo (@secult.es), A Gazeta (@agazetaes) e TVE Espírito Santo (@TVEespiritosanto) Realização: Letra Preta – Escrita e Imaginações (@letrapreta_) e Sesc-ES (@sescgloriaes), Ministério da Cultura e Governo Federal (@minc) por meio da Lei Rouanet - Incentivo a Projetos Culturais.

Acompanhe a programação completa no link abaixo:

sábado, 4 de outubro de 2025

Diário do Hospício [resenha]

 


“A luta antimanicomial é um movimento político, marcado pela bandeira “por uma sociedade sem manicômios”, que visa superar as formas hospitalocêntricas e excludentes de tratamento psiquiátrico. No Brasil, vincula-se formalmente à Reforma Psiquiátrica, que teve início nos anos 1970.” - Pág. 108

Desde que assisti ao documentário ‘Holocausto Brasileiro’, baseado no livro homônimo de Daniela Arbex (Geração, 2013) venho me interessado pelo tema. E ter lido Lima Barreto só acendeu minha curiosidade.

“Não me incomodo muito com o hospício, mas o que me aborrece é essa intromissão da polícia na minha vida.” - Pág. 09

Lima Barreto, assim como Daniela, já vinha denunciando os terrores - isto lá na década de 1920 - do ‘hospício’, no seu caso o Hospital Nacional de Alienados onde o escritor foi internado pela primeira vez em 1914.

“Esta passagem várias vezes no hospício e outros hospitais deu-me não sei que dolorosa angústia de viver que me parece ser sem remédio a minha dor.
Vejo a vida torva e sem saída.” - Pág. 42

Em ‘Diário do hospício’, o autor escancara o que se escondia pelas grades do manicômio, lugar que serve de aparato para um sistema excludente. De pessoas, de classes e raças dominadas. Como Lima escreve em um dos trechos de seu livro: “a ciência é muito curta[…] é melhor empregar o processo da Idade Média: a reclusão.” - Pág. 45. Sistema este até hoje amparado pela polícia e a religião.

“[…] o nosso sistema de tratamento da loucura ainda é o da Idade Média: o sequestro. Não há dinheiro que evite a morte, quando ela tenha de vir; e não há dinheiro nem poder que arrebate um homem da loucura. Aqui, no hospício, com a suas divisões de classes, de vestuário etc., eu só vejo um cemitério: uns estão de carneiro e outros de cova rasa. Mas, assim e assado, a Loucura zomba de todas as vaidades e mergulha todos no insondável mar de seus caprichos incompreensíveis.” - Pág. 49

Além de uma bela descrição do Rio de Janeiro daquela época, que o autor faz na página 50, sua obra destaca a necessidade de questionarmos a justiça e Barreto filosofa ainda sobre a liberdade em suas páginas. Também escreve diariamente sobre as pessoas que passava por ele, fotografias do tempo, que se completam com as ilustrações do livro.

“As leis são como as teias de aranha que prendem os fracos e pequenos insetos, mas são rompidas pelos grandes e fortes.” - Pág. 61

Nesta impecável edição, que saiu pela editora Borda (2020), destaco as ilustrações do artista capixaba Luciano Feijão que utiliza de seus traços e pesquisa para discutir práticas racistas aliadas à políticas cientificistas.

Uma edição perfeita para você que aprecia a literatura atrelada às artes visuais.

“[…] vi, naquele desgraçado, a imagem
da revolta. Esse acontecimento causa-me apreensões e terror. 
A natureza deles. Espelho.” - Pág. 81

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Feira Literária “Diversidade Literária” a FLIVDIL, celebra cultura diversidade e inclusão em Vila Velha

 

A cidade de Vila Velha será palco de um dos mais importantes encontros culturais do ano. A Feira Literária Diversidade Literária acontece nos dias 03, 04 e 05 de outubro, na Praça Duque de Caxias, e promete reunir escritores, leitores, educadores, artistas e o público em geral em torno da paixão pelos livros, da valorização da leitura e da celebração da pluralidade de vozes e narrativas.


Com entrada gratuita, a Feira traz uma programação diversificada que contempla lançamentos de livros, mesas-redondas, contação de histórias, oficinas, apresentações culturais e espaço para editoras, autores independentes e Academias de Letras do Estado. O evento tem como foco principal promover a literatura como ferramenta de inclusão, representatividade e transformação social, dando visibilidade a diferentes identidades, origens e estilos literários.


“Nosso objetivo é abrir espaço para todas as formas de expressão literária e reforçar o papel da leitura como ponte para o diálogo, o respeito e a empatia”, destaca a organização do evento.
A Praça Duque de Caxias, no coração de Vila Velha, será transformada em um grande centro cultural a céu aberto, com atividades para todas as idades, incluindo programação especial para o público infantil e juvenil.



A Feira Literária FLIVDIL é uma realização do coletivo de escritores e escritoras capixabas “Diversidade Literária” e convida toda a comunidade capixaba a participar deste momento de celebração da literatura em suas múltiplas vozes.











Serviço:
📚 FLIVDIL - Feira Literária em Vila Velha “Diversidade Literária”
📅 Dias 03/10/25 de 08h às 20h, 04/10/25 de 09h às 18h e 05/10/25 de 09 às 17h
📍 Local: Praça Duque de Caxias – Vila Velha, ES
🎟 Entrada gratuita
🔗 Programação completa: @coletivodiversidadees


Acompanhe algumas ações dessa festa com os cards abaixo e no Insta do Coletivo:


Nos vemos nesta festa literária,

Até lá!