Hilda escreveria ‘O caderno rosa de Lori Lamby’, que dá início a sua tetralogia obscena - chamada por ela de pornô-chic -, como uma tentativa de se fazer ser lida. Assim foi feito.
“Eu já vi papi triste porque ninguém compra o que ele escreve. Ele estudou muito e ainda estuda muito, e outro dia ele brigou com o Lalau que é quem faz na máquina o livro dele, os livros dele, por que papai escreveu muitos livros mesmo, esses homens que fazem o livro da gente na máquina têm nome de editor, mas quando o Lalau não está aqui o papai chama o Lalau de cada nome que eu não posso falar.” - Pág. 19
Apesar de não ser atravessado por muitos dos temas postos nesse livrinho pornográfico da nossa maravilhosa Hilst, livro este que me devorou em uma sentada, fui decepado por sua linguagem dilacerante. Por uma narrativa lúcida, fluida e sem rodeios. Hilda, na voz de Lori acerta o leitor na carne.
“[…] queria me lamber mais, e se eu deixava. Eu disse que deixava porque era muito mais delícia ele me lamber do que eu ficar com a mão na minha coisinha pra refrescar.” - Pág. 17
A quem se pergunta de que é feito um clássico, eu digo: leia Hilda Hilst e descobrirá. Em ‘O caderno rosa de Lori Lamby’, somos guiados por uma garota engenhosa - o que só é revelado no finzinho do livro - de oito anos em uma intrincada narrativa que mistura imaginação com a realidade, também ficcionada por Hilda aqui pelas figuras mais velhas.
“E pueril e inocente comecei a dar tratos à bola: então é isso a vida. O amor, uma bobagem. As mulheres, umas loucas varridas. Ou só a Corina é que era uma louca varrida? Ou eu é que não entendia nada do mundo e todo mundo era assim? “ - Págs. 61/62
Lori Lamby escreve em seu caderno rosa sobre temas espinhosos, que desemboca num final inesperado, digno de um clássico da literatura brasileira. Não à toa Hilda Hilst é considerada uma das maiores de sua geração, reverenciada até hoje. Dito isto, apenas leia,
até mais!
“Gênio é a minha pica, gênios são aqueles merdas que o filho da puta do Lalau gosta, e vende, VENDE!, Aqueles que falam da noite estrelada do meu caralho, e do barulho das ondas da tua boceta, e do cu das lolitas.” - Pág. 85

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