encontro do clube Obscena Lucidez no Cheiro de livro Sebo
Para além da escrevivência o livro é um diálogo em colcha de retalhos das personagens com a autora que costura cada conto em uma narrativa potente e viva.
É como se estivéssemos sentados na sala com Conceição e suas criações, onde ela nos abre o baú de atravessamentos dos corpos, em suas dores, medos, culpa e vergonha, sentimentos comuns que gruda até mesmo nos leitores mais desatentos.
“[…] quem tem os olhos fundos, começa chorar cedo e madruga antes do sol para secar sozinha as lágrimas. Por isso, minha urgência em deixar o meu relato. Gosto de madrugar, de ser a primeira. Nada me garante que a espera pode me conduzir ao que quero. Na espera, temo que os dias me vazem entre os dedos.” - Pág. 70
Conceição Evaristo além da potência da oralidade, explora vários temas que perpassam as gerações destes corpos sempre tendo a mulher como plano central de cada conto; como a exploração, o abuso, a violência de gênero.
“[…] desfiavam as contas de um infinito rosário de dor. E, depois, elas mesmas, a partir de seus corpos mulheres, concebem a sua própria ressurreição e persistem vivendo.” - Pág. 95
A sensibilidade da autora nos faz querer também, através da leitura da outra, transbordar e sentir cada linha que vaza por essas lágrimas.
Lemos o livro para o clube de leitura Obscena Lucidez que foi maravilhoso, espero ler Conceição em breve, se quiser apareça nos próximos encontros do clube. Para mais informações siga o clube no Instagram: @clubeobscenalucidez. Nos vemos em breve,
Até mais!


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