"a-maior-função-do-homem-no-mundo-é-transformar-se-em--literatura" - Reinaldo Santos Neves

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Alex… apague a luz

 



“A conexão do K94142178 permaneceu estabelecida por oitenta e quatro dias, sete horas, dois minutos e treze segundos.“ - Pág. 91

Kentukis é um livrinho aterrorizante! Dividido em capítulos curtos e rápidos ele nos carrega por uma trama intrigante e com uma reviravolta inesperada.

“Não conseguia dizer o que essa mão estava fazendo, o braço da mulher tinha ficado suspenso sobre o kentuki, conectando-os de uma forma estranha[…] Marvin por fim entendeu: estava recebendo carinho[…] aquela mulher cuidava de Marvin feito mais um enfeite órfão[…] Tinha afagado-lhe a cabeça com o amor sincero com o qual se afagam os filhotes…” - Pág. 56

O romance de Samanta Schweblin parece ser dividido em contos que fazem parte do mesmo universo, que se interligam pelos adoráveis Kentukis: robôs de pelúcia que transitam pelas casas das pessoas e são controlados por outros desconhecidos.

“Emília repetiu para si mesma o que Eva acabava de dizer. Ao falar a “câmera”, a garota se referia a ela, a Emília, pela primeira vez. E isso era dar por certo que havia alguém dentro da coelhinha, alguém que Eva amava e de quem cuidava.” - Pág. 77

O livro nos conta sobre uma busca desenfreada por conexão real, mesmo que através dos robôs, mostra a solidão humana e a necessidade de se achar ‘completo’ no Outro. Mas o que sintetiza mais a obra da autora é o trecho da quarta capa, que diz sobre a “fragilidade da comunicação contemporânea…”

“As pessoas pagavam para ser seguidas feito um cachorro o dia todo, queriam alguém real mendigando seus olhares.” - Pág. 94

É uma obra sobre a tentativa de humanização das máquinas e a desumanização dos homens; uma cruel dualidade, sinônimos distópicos quase reais. Uma cópia fiel dos tempos atuais.

“[…] ou você se moderniza ou a vida te atropela.” - Pág. 108


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Contos de amor, de loucura e de morte [RESENHA]

 


“E quando não houver mais delírio… ainda me amarás?” - Pág. 173

Um clássico que fez brilhar o realismo mágico e colocou seu nome no hall dos maiores escritores do chamado ‘modernismo latino-americano’. Quiroga nasceu em 1878, é uruguaio e publicou o ‘Contos de amor, de loucura e de morte’ em 1917.

“Um deles apertou-lhe o pescoço, afastando os cachos de seus cabelos como se fossem plumas, e os outros a arrastaram puxando por uma perna até a cozinha, onde naquela manhã haviam visto uma galinha bem agarrada ser sangrada, arrancando-lhe a vida segundo a segundo.” - Pág. 61

Seus textos curtos me lembrou uma das influências do autor, o escritor Edgar Allan Poe, com retratos de sua vida pessoal; entre a morte e a solidão. Os contos falam de amor, insanidade, exploração, tristeza, doença, como eu disse breve, porém intenso. Com finais inesperados.

“O filhote, ainda arrepiado, adiantava-se e retrocedia com curtos trotes nervosos, e soube, graças à experiência de seus companheiros, que quando uma coisa vai morrer, aparece antes.” - Pág. 82

Destaco os contos ‘A galinha degolada’, ‘O travesseiro de plumas’ e ‘Yaguaí’. Que apesar de ser um livro clássico, que não estou acostumado a ler, me pegou bastante.Esse é um dos autores que nós latinos devemos conhecer.

“Sua entrada numa casa supõe a exterminação absoluta de todo ser vivo, pois não há canto ou buraco profundo onde o rio devorador não se precipite.” - Pág. 141

Espero que tenha gostado,
Se já conhecia me conte como foi sua experiência com a leitura

Até breve!