“A conexão do K94142178 permaneceu estabelecida por oitenta e quatro dias, sete horas, dois minutos e treze segundos.“ - Pág. 91
Kentukis é um livrinho aterrorizante! Dividido em capítulos curtos e rápidos ele nos carrega por uma trama intrigante e com uma reviravolta inesperada.
“Não conseguia dizer o que essa mão estava fazendo, o braço da mulher tinha ficado suspenso sobre o kentuki, conectando-os de uma forma estranha[…] Marvin por fim entendeu: estava recebendo carinho[…] aquela mulher cuidava de Marvin feito mais um enfeite órfão[…] Tinha afagado-lhe a cabeça com o amor sincero com o qual se afagam os filhotes…” - Pág. 56
O romance de Samanta Schweblin parece ser dividido em contos que fazem parte do mesmo universo, que se interligam pelos adoráveis Kentukis: robôs de pelúcia que transitam pelas casas das pessoas e são controlados por outros desconhecidos.
“Emília repetiu para si mesma o que Eva acabava de dizer. Ao falar a “câmera”, a garota se referia a ela, a Emília, pela primeira vez. E isso era dar por certo que havia alguém dentro da coelhinha, alguém que Eva amava e de quem cuidava.” - Pág. 77
O livro nos conta sobre uma busca desenfreada por conexão real, mesmo que através dos robôs, mostra a solidão humana e a necessidade de se achar ‘completo’ no Outro. Mas o que sintetiza mais a obra da autora é o trecho da quarta capa, que diz sobre a “fragilidade da comunicação contemporânea…”
“As pessoas pagavam para ser seguidas feito um cachorro o dia todo, queriam alguém real mendigando seus olhares.” - Pág. 94
É uma obra sobre a tentativa de humanização das máquinas e a desumanização dos homens; uma cruel dualidade, sinônimos distópicos quase reais. Uma cópia fiel dos tempos atuais.
“[…] ou você se moderniza ou a vida te atropela.” - Pág. 108

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